Mês de vacaçons por excelência. O mundo, ou mais bem a parte “importante” do mundo, semelha deter-se… Nom assi as agressons ambientais protagonizadas por esta. As férias, tal e como som entendidas pola lógica consumista, nom dam trégua ao planeta.

Deslocamentos massivos cara um litoral ao redor do qual vivem cada vez mais pessoas. Urbanizaçons, com ou sem campo de golfe, e vilas fantasma que cobram vida por umhas semanas. Caravanas de automóveis vam e voltam das praias quando o tempo acompanha. Nem buses nem trens, ou vives ao pé do areal, ou vás no teu carro, todo o que se nos ocorre é construir mais e maiores estradas e aparcadoiros para chegar a praias cada vez mais artificializadas: eliminamos dunas e danamos as que resistem, “regeneramos” areais, cremos que as algas som lixo, deitamos lixo nós… Mas nom só artificializamos as praias, o resto do litoral nom pode ser menos: passeios marítimos, portos deportivos, segundas vivendas… pressom urbanística insaciável.

Gozar da natureza… destruindo-a?

moto-agua.jpg

Tanto tem praia que rio, mar que montanha, “gozar da natureza” vende, e fai-no numha modalidade acorde ao nosso modo de vida: devoradora. Motos, quads e qualquer tipo de veículo todo-terreno é bom para aceder a todos os recantos que se nos antolhem, atroando por vias de toda caste ou campo-través. Lanchas e motos de água permitem-nos fazer outro tanto do mesmo no mar e as desembocaduras dalguns rios. Para que caminhar ou remar numha canoa? Para que montar numha bíci ou dacavalo? Para que descansar, mover-se a modo, olhar, escuitar? Para que prescindir do petróleo?

Festas da opulência

Reunimo-nos e festejamos. Homenageamos a contaminaçom acústica e lumínica. Batemos marcas de geraçom de resíduos apoiando-nos no usar e tirar. Comemos e bebemos em excesso, e, por se era pouco, inventamos festas “tradicionais” do desbaldimento nas que deitar grandes quantidades de água, vinho, tomates… Transformamos a diversom em monumento à insustentabilidade e, ainda nom satisfeit@s, mal-tratamos animais nom-humanos no nome da cultura.

Acabará Agosto e o mundo voltará à nom menos destrutiva rotina. Os media falarám mais umha vez da síndrome post-vacacional. O descanso e o desfrute nom deveriam ser condensados num mês. A vida deveria poder ser gozada todo o ano. Festejar, descansar, relaxar-se, divertir-se… nom tem porquê ser insustentável. As férias e o tempo de lezer, a vida toda, desfrutam-se mais sem destruir, sem danar, permitindo gozar tamém aos demais seres vivos, humanos ou nom, actuais e futuros.

Xosé Maria Garcia Villaverde

Something to say?